A história da cerâmica se integra significativamente na história de Pinhais e seus moradores. Vários dos antigos habitantes trabalharam na indústria ou tiveram algum tipo de relação com ela.

A cerâmica iniciou as atividades treze anos após a abertura da estrada de ferro (1885). Num primeiro momento, a atividade industrial ainda incipiente, visava atender à região e arredores de Curitiba, haja vista que em várias outras regiões, como a Fazendinha, Boqueirão, Parolin, Umbará, entre outras, também constavam indústrias de tijolos e telhas.

Em 1912, Guilhermes Weiss comprou a cerâmica de propriedade da família Torres. O novo proprietário deu início a um processo de grande dinamização dessa unidade fabril. Importou novos maquinários e ampliou consideravelmente a capacidade de produção. Juntamente com a chegada desses novos equipamentos, também foi necessário trazer mão-de-obra especializada. Para tanto, foram construídas um grande número de residências, formando uma vila operária. Dentre as primeiras famílias que vieram trabalhar a convite de Guilherme Weiss, podemos nomear as famílias de Miguel Chalcoski, de José Kropzak e de Henrique Pontella, as quais exerciam atividade na olaria dos irmãos Hauer, na região da Vila Hauer (Curitiba).

Além destas, muitas outras famílias fixaram-se definitivamente na região. Alguns operários foram definitivamente da região. Alguns operários foram trabalhar diretamente na fabricação de telhas e tijolos, outros na extração do barro. "Eu vim em 21 de novembro de 1933, trabalhar direto na cerâmica do Guilherme Weiss, na extração de barro da Vargem", conta André Vachowiz.

A vila, que começara a esboçar-se em torno da unidade fabril, era dotada de certa infra-estrutura, pois junto aos barracões foi construído um armazém responsável pelo abastecimento de cereais e outros gêneros alimentícios. "O comércio que tinha era o armazém do Weiss, só funcionava o dele [...] Ele trazia as mercadorias da cidade para nós aqui em Pinhais".

No auge de funcionamento da Cerâmica, mais precisamente entre a década de 1920 e 1960, o conjunto de residências dos trabalhadores da indústria Weiss chegou a um número aproximando de 300 casas. Estima-se estas consideráveis para o período.

Durante determinado tempo, mais precisamente no período entre guerras (1918-1939), o então proprietário, Guilherme Weiss demonstrando grande visão gerencial, estabeleceu um novo tipo de relacionamento financeiro com os seus funcionários.

Tratava-se da utilização de uma unidade monetária corrente entre os próprios empregados, nos limites da área de domínio da cerâmica. "O dinheiro dele valia só em Pinhais, mas se você fizesse economia com o dinheiro, [...] fazia vale; passados trinta dias, ia na cidade e ele trocava, dava dinheiro [...]; então, se economizasse as fichas dele, podia Ter quantos milhões quisesse".

Em fins da década de 1930, com o falecimento de Guilherme Weiss, seu genro, Humberto Scarpa, assumiu a direção da indústria. A herança incluía, além da fábrica, as terras que se encontravam na região de Pinhais. Scarpa conduziu os negócios da fábrica até a década de 1960, quando resolveu desativar os trabalhos da cerâmica e iniciou o processo de loteamento das terras, dando origem a vários bairros que hoje integram o município de Pinhais.

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